Declaração de Imposto de Renda: guia completo para dentistas

A declaração de Imposto de Renda compreende um período durante o qual você deve declarar todas as entradas e saídas do seu fluxo de caixa, sendo pessoa física e apresentando renda maior do que a indicada para pagamento do IR.

Tempo de leitura: 8 minutos

O período de declaração de Imposto de Renda já começou e, embora o prazo seja de 60 dias para declarar, deixar para a última hora não é a melhor opção.

Quem atua como autônomo, tem um consultório ou trabalha emitindo notas fiscais, por exemplo, tem a obrigatoriedade de declarar o Imposto de Renda Pessoa Física. Dessa forma, para o profissional liberal, a declaração de Imposto de Renda apresenta alguns pontos.

Por isso, saiba com detalhes como é feito o processo para não correr o risco de cair na malha fina e descubra que a declaração de Imposto de Renda não é um bicho de sete cabeças! Afinal, neste artigo, você saberá de maneira completa tudo sobre o Imposto de Renda, inclusive como fazer a declaração em detalhes.

Declaração de Imposto de Renda para dentistas
Declaração de Imposto de Renda: guia completo para dentistas

Informações básicas sobre o Imposto de Renda

De maneira geral, a declaração de Imposto de Renda deve conter todos os dados financeiros sobre lucros, despesas e receitas do ano anterior. Por meio desse cálculo, portanto, você saberá quanto de imposto deverá pagar e, também, se terá direito a restituições.

Por isso, a Receita Federal disponibiliza o Silcalc, um programa que calcula a multa e os juros devidos e gera o DARF para pagamento deste imposto.

Imposto de Renda para dentista: quem precisa declarar?

A declaração de Imposto de Renda 2020 abrangeu, portanto, os contribuintes que:

  • apresentaram rendimentos tributáveis acima de R$ 22.847,76. Este limite, no entanto, pode sofrer reajustes em 2021;
  • tiveram rendimentos tributáveis e não tributáveis vindos direto da fonte com valor igual ou acima de R$ 40 mil;
  • tiveram renda com valor igual ou superior a R$ 142.798,50;
  • passaram a ter posse de bens com valor igual ou superior a R$ 300 mil;
  • tiveram ganho de capital sobre alienação de bens e direitos;
  • negociaram ações nas bolsas de valores, mercados futuros ou atividades correlacionadas.

É importante que o cirurgião-dentista adote o hábito de emitir recibos aos pacientes, organizando, assim, o livro-caixa e a contabilidade e mantendo uma relação atualizada de todos os recebimentos e do CPF dos pacientes.  

Desse modo, no caso de cirurgiões-dentistas autônomos, o preenchimento do Carnê-Leão – uma forma de recolhimento de imposto mensal obrigatória – é fundamental para realizar a escrituração eletrônica do livro-caixa. Nesse livro, cabe, portanto, incluir também as despesas recorrentes para funcionamento do consultório odontológico, considerando a possibilidade de usar essas despesas como dedução do IR 2020.

Desde 2014 a Receita Federal do Brasil incluiu a obrigatoriedade do cirurgião-dentista, enquanto profissional liberal, a informar o número do CPF de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física.

Qual a alíquota do Imposto de Renda 2020?

As alíquotas são (de acordo com os rendimentos anuais):

Tabela Anual
Base de cálculo (R$)Alíquota (%)Parcela a deduzir do IRPF (R$)
Até 22.847,76
De 22.847,77 até 33.919,807,50%1.713,58
De 33.919,81 até 45.012,6015,00%4.257,57
De 45.012,61 até 55.976,1622,50%7.633,51
Acima de 55.976,1627,50%10.432,32
*Parcela a deduzir por dependente:  R$ 2.275,08
Tabela Mensal
Base de cálculo (R$)Alíquota (%)Parcela a deduzir do IRPF (R$)
Até 1.903,98Isento0
De 1.903,99 até 2.826,657,50%142,8
De 2.826,66 até 3.751,0515,00%354,8
De 3.751,06 até 4.664,6822,50%636,13
Acima de 4.664,6827,50%869,36
*Parcela a deduzir por dependente:  R$ 189,59

Como fazer o Imposto de Renda no caso de dentistas autônomos?

No caso dos dentistas autônomos, existem duas possibilidades. São elas, portanto:

  1. Dentistas que prestam serviços para empresas: Nessa situação, o profissional fará o preenchimento da declaração de Imposto de Renda de modo parecido aos assalariados. Isso acontece porque a pessoa jurídica que contrata o serviço é responsável por recolher o imposto relativo aos serviços prestados pelo autônomo (Imposto Retido na Fonte). Mas, caso receba 13º Salário, o valor dele e do seu IR também deverão ser incluídos junto com as informações anteriores.
  2. Dentistas que prestam serviços para pessoas físicas: Se os rendimentos declarados são provenientes de serviços prestados às pessoas físicas, como, por exemplo, os pacientes que vão diretamente ao consultório, você precisará inserir esse dado na ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Física”. Neste espaço, desse modo, ele deve inserir o CPF do titular de pagamento e, se for o caso, do beneficiário do serviço, além do valor recebido.

Lembrando que, nesse caso, o profissional liberal é o responsável por recolher, todos os meses, os impostos referentes por meio do programa Carnê-Leão: através dele o IR é calculado e é emitida uma Darf que pode ser paga em qualquer instituição bancária.

Assim, quando for fazer sua declaração de Imposto de Renda, basta importar os valores informados no Carnê-Leão para o programa gerador da declaração de Imposto de Renda. Entretanto, se você tiver que recolher imposto atrasado, deverá usar outro programa, o Sicalc, que calcula a multa e os juros devidos e gera o Darf para pagamento. Aliás, vale lembrar que o não pagamento dos impostos gera juros equivalentes à variação da taxa Selic no período, acrescida de 1% no mês. Além disso, há multa de 0,33% por dia de atraso, limitada a 20% do imposto devido.

Obrigação da inclusão do CPF de cada paciente

Os dentistas autônomos são obrigados a informar o CPF dos pacientes para os quais prestaram serviço na declaração de Imposto de Renda. Assim, cada paciente que efetuou o pagamento deverá ser informado de modo individual, com a indicação do número do documento.

Isso é válido mesmo caso o paciente não seja o responsável pelo pagamento, como acontece no caso de consulta paga pelos pais ou outros responsáveis, já que, sem essa informação, você não conseguirá transmitir seu Imposto de Renda.

Deduções

Se você emite recibos pelos serviços prestados, poderá deduzir despesas essenciais para o desenvolvimento do seu trabalho de dentista, como, por exemplo: 

  • despesas com materiais de escritório;
  • funcionários e pagamentos a terceiros (desde que sejam essenciais para a manutenção do trabalho);
  • itens para trabalho, como resina;
  • aluguel;
  • contas como água, energia, telefone, luz e internet;
  • roupas e utensílios vinculados à atividade;
  • despesas necessárias à atualização do profissional, como, por exemplo, congressos, seminários e palestras;
  • benfeitorias ao imóvel que não forem ressarcidas pelo proprietário.
  • produtos para limpeza e conservação do local e benfeitorias pelas quais o locatário não receberá reembolso do proprietário.

No entanto, a aquisição de bens, como cadeiras, luzes especiais e balcões, não pode ser deduzida.

Lembre-se também de manter guardados os comprovantes de despesas e recibos lançados por, pelo menos, cinco anos, pois dentro deste período a Receita Federal pode solicitá-los a qualquer momento.

Informações que você deve inserir na declaração de Imposto de Renda

As informações são separadas por fichas e é preciso se organizar para saber o que incluir em cada uma delas. Desse modo, as principais são:

  • dependentes: pessoas que dependem financeiramente de você, como a família e os filhos;
  • rendimentos:
    • tributáveis recebidos de pessoa jurídica: são os rendimentos recebidos por quem prestou serviço a outras empresas;
    • tributáveis recebidos de pessoa física: são os rendimentos recebidos pela prestação de serviço aos pacientes pessoa física da clínica;
    • isentos: são muitos como, por exemplo, bolsas de estudo e pesquisa caracterizadas como doação, capital de apólice de seguros, indenização por rescisão de contrato de trabalho, pensão ou proventos de aposentadoria, rendimentos de caderneta de poupança, rendimento de sócio ou titular de microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo Simples Nacional (exceto pró-labore, aluguéis e serviços prestados) etc.;
  • bens e direitos: aqui devem ser informados bens como, por exemplo, imóveis, aplicações, ações, veículos e cotas do consultório em que você é sócio.

Dicas para declaração do Cirurgião-Dentista

Como você viu, o Imposto de Renda para dentista exige bastante organização e conhecimento do profissional. Para não sofrer na hora da declaração de Imposto de Renda, a dica é deixar esses dados já organizados durante o ano, como, por exemplo, criando o hábito de emitir recibos aos seus pacientes, organizando o livro-caixa e a contabilidade e mantendo uma relação atualizada de todos os recebimentos e do CPF dos pacientes.

Mas se você trabalha como autônomo, não pode deixar de preencher o Carnê-Leão – uma forma de recolhimento de imposto mensal obrigatória. Afinal, por meio dele, é possível realizar a escrituração eletrônica do livro-caixa.

No livro-caixa, não se esqueça de inserir as despesas para manter seu consultório funcionando, já que elas podem ser usadas como dedução do Imposto de Renda para dentista. Portanto, seguem abaixo, algumas sugestões que podem ajudar na organização dos dados para a elaboração do IR.

  • Planejamento financeiro anual dos custos pessoais e profissionais;
  • Simulação de alíquota efetiva de imposto;
  • Formação do preço de venda do serviço considerando a alíquota de imposto;
  • Recolhimento mensal do Carnê-Leão pelo programa da Receita Federal;
  • Entrega da declaração de ajuste anual;
  • Ficar atento às alterações anuais, realizadas pela Receita Federal, referente às despesas dedutíveis e não dedutíveis.

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