Emergências odontológicas: como elas funcionam na pandemia?

Em meio ao momento crítico da pandemia da COVID-19, autoridades da saúde divulgam ações e medidas preventivas para frear a transmissão do novo coronavírus. Neste artigo, compilamos as informações essenciais sobre como deve ser o atendimento odontológico, incluindo quais são os casos de emergências e urgências.

Tempo de leitura: 7 minutos

Diante do momento de pandemia que estamos vivendo, muitos setores tiveram que pausar, parcialmente ou por completo, suas atividades. Mas e quanto ao setor odontológico? Como os atendimentos são realizados durante esse período? Quais são considerados emergências odontológicas?

Emergências odontológicas: como elas funcionam na pandemia?
Emergências odontológicas: como elas funcionam na pandemia?

O constante aumento nos números de casos do coronavírus (COVID-19) exigiu que conselhos regionais de odontologia tomassem medidas e fizessem recomendações não apenas para preservar a saúde de pacientes, mas também dos próprios profissionais da área.

No último dia 17 de março, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou nota na qual orienta que todos os procedimentos eletivos sejam suspensos, ou seja, manter apenas os atendimentos de emergência.

As recomendações são voltadas para os atendimentos realizados por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), mas podem ser utilizadas por consultórios particulares, visto que tais recomendações foram requisitadas às autoridades pelo Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP).

A principal preocupação dos órgãos competentes é que o grande número de pacientes transitando nos consultórios possa resultar em casos positivos de Coronavírus. Essa preocupação se dá por conta da contaminação cruzada, ou seja, da possibilidade de o vírus passar de um paciente para o outro através do contato com objetos do próprio consultório odontológico.

Nota Técnica nº 9/2020

Além das recomendações, o Ministério da Saúde, em parceria com outros órgãos do Estado de São Paulo, divulgou a Nota Técnica nº 9/2020, com as seguintes instruções para clínicas e consultórios odontológicos:

  • Proporcionar um intervalo maior entre as consultas, assim é possível realizar a descontaminação do ambiente de forma adequada;
  • Adiar qualquer atividade coletiva, seja ela a aplicação de flúor gel, a escovação dental supervisionada, o bochecho fluoretado, etc;
  • Reforçar o uso obrigatório e correto dos EPIs, mesmo sem comprovação de que o usuário apresenta suspeita de contaminação com o vírus;
  • Utilizar máscara N95 apenas para casos onde o paciente apresenta sintomas de infecção respiratória;
  • O uso de máscaras N95 também são recomendadas em casos de procedimentos que envolvam a utilização de aerossóis.

Além disso, outra recomendação de extrema importância partiu do presidente do Conselho Regional de Odontologia do Rio de Janeiro (CRO-RJ): em nota divulgada ainda no mês de março, Altair Andrade pede que haja o máximo de atenção e rigor nos protocolos que competem à esterilização e limpeza dos equipamentos e instrumentos utilizados durante os procedimentos odontológicos.

Do mesmo modo, o Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais (CRO-MG) apresenta recomendações que se assemelham às anteriores, acrescentando que profissionais que fazem parte do grupo de risco ou que moram com pessoas desse mesmo grupo, não devem realizar nenhum procedimento. Isso inclui as emergências odontológicas.

Como ficam os atendimentos de casos urgentes e emergenciais?

Para responder a essa pergunta, podemos utilizar como base as recomendações de enfrentamento da COVID-19 na odontologia, elaboradas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) em parceria com o Conselho Federal de Odontologia (CFO).

No documento, conhecido por Nota Técnica GVIMS/GGTES/ANVISA Nº 04/2020, elaborada em reunião do GT ANVISA de Odontologia COVID-19, é apresentada a classificação dos procedimentos odontológicos.

Assim, a potencialização de risco de morte para pacientes é classificada como emergência odontológica enquanto os casos prioritários, porém sem risco eminente, como urgência.

Para mais, as recomendações padrão feitas pelos órgãos servem para todas as especialidades e englobam, por exemplo, ações como as apresentadas em seguida.

Emergências odontológicas: atendimento em pacientes com resultado positivo para a COVID-19 ou acompanhantes

Nesse caso, é necessária a utilização de máscara cirúrgica e de lenços de papel para que não haja contato direto com tosse, espirros e secreção nasal, além da higienização das mãos de forma frequente com água e sabonete líquido ou álcool a 70%.

Recomendações diretas para os profissionais da área odontológica

As recomendações fundamentais envolvem: a higienização das mãos e a utilização de óculos de proteção e de máscaras cirúrgicas. Além disso, é recomendado o uso de avental, luva e gorro.

Graças ao alto risco de disseminação do vírus e ao grau elevado de exposição aos materiais biológicos, os procedimentos odontológicos devem ser realizados apenas em casos como os apresentados na sequência:

1. Emergência

  • Casos que envolvam sangramentos não controlados;
  • Infecções bacterianas difusas e celulites. Nesses casos, com o aumento do edema de localização extraoral ou intraoral, além de risco em potencial para as vias aéreas dos pacientes;
  • Qualquer traumatismo que envolva os ossos da face do paciente e que possam comprometer as vias aéreas.

2. Urgência

  • Alveolite;
  • Pericoronarite;
  • Pulpite;
  • Fraturas dentárias resultando em dores e traumas em tecidos moles bucais;
  • Abcessos periodontais ou bucais;
  • Cimentação de próteses fixas ou de coroas;
  • Necessidade de tratamentos odontológicos para procedimentos médicos críticos;
  • Finalização de tratamento ou de troca de medicação intracanal;
  • Biópsias;
  • Restaurações que causem dor ou remoção de lesões causadas por cáries extensas;
  • Tratamentos de necroses em tecidos;
  • Ajustes de próteses ou órteses que causem dor e comprometam a mastigação;
  • Traumas dentários com luxação ou avulsão;
  • Mucosites.

De acordo com os órgãos, qualquer procedimento que não faça parte dos listados acima deve ser postergado, isso para evitar ao máximo a transmissão do vírus. Os profissionais devem, ainda, avaliar a urgência de cada caso, de forma específica e clinicamente antes da realização deles.

Medidas preventivas quanto às emergências odontológicas

Em síntese, o mesmo documento também cita medidas que devem ser adotadas pelos consultórios odontológicos em tempos de pandemia:

  • Limpeza reforçada de superfícies, como armários, bancadas, cadeiras e torneiras;
  • Disponibilizar álcool 70% para dentistas e pacientes;
  • Higienização de mãos e objetos após a utilização de EPI;
  • Optar por radiografias extraorais, para que não haja estímulos à tosse e salivação;
  • Realização de aspiração da saliva residual de forma contínua e com sistema de sucção de alta potência;
  • No caso dos sistemas de sucção, a limpeza das mangueiras deve ser realizada após o término do atendimento de cada paciente, sempre utilizando desinfetante com cloro;
  • Antes de cada procedimento, utilizar colutório antimicrobiano, aplicando com gaze ou através de bochecho;
  • Dar preferência para suturas feitas com fio absorvível;
  • Enviar para admissão em hospitais os casos de lesões bucais e maxilofaciais que apresentarem potencial de óbito.

Por fim, os profissionais da área odontológica, assim como as demais áreas da saúde, são fundamentais para o processo de contenção do vírus. Sabemos que é um momento delicado para toda a população, mas todo cuidado é necessário para conter o avanço da COVID-19 e poupar vidas.

Quer receber todas as nossas publicações e ficar por dentro de tudo o que acontece no universo odontológico? Então assine já a nossa newsletter!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *